Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

MEDICINA POPULAR NOS VERSOS DE NESTOR MARINHO

Nestor Marinho era poeta popular de Santo Antônio do Salto da Onça, região agreste do Rio Grande do Norte. Zé Luiz depõe que ele era doutor em ervas e versos. Um dia, cansado (ele era asmático), pegou a viola e descreveu os remédios que vinha tomando, dizendo assim:
Já tomei celestom e decadron,
Tomei meticorten e deronil,
Iodeto de potássio e revenil,
Curasmático, estilasa e ocilon,
Elixir de cereja e alergon,
Em calmante: alupent e pílula asmac,
Filismina, tronol e eufin, marc,
De nenhum obtive resultado,
Mesmo assim venho sendo medicado
Por inúmeros médicos do CRUTAC.
Chá de burro tomei mais de 60,
Tomei banha de cobra e de teju,
Me ensinaram a banha de timbú,
Não tomei por ser muito fedorenta.
Lambedor tomei mais de 40,
E aprendi a preparar um lambedor
De juá, cumarú, ou mercador.
Do angico: a raiz, flor, a casca.
Em remédio do mato ninguém tasca
Pois em ervas e árvore sou doutor.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

FUTEBOL DO PASSADO

Nome do time: Amigos de Zé de Ana. Em pé: Dedé de Zé de Ana, Zé e Deus, Batista, Zé de Ricarte e João Carlos. Agachados: João de Ricarte, Galêgo de Itajá, dr. Nelson e Zé de Ana (dono do time). O fato é que apenas dois ou três daquele grupo, sabia jogar futebol! É que Zé de Ana gostava de movimentar a cidade, e organizou aquele clube ( pessoas jovens e maduras). É que em Assu acontece de tudo!

fernando.caldas@bol.com.br

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

POESIA

SÓ NO CÉU

Por Renato Caldas

Não encontro na terra!
Não existe no mar,
nas estrelas, nas frias madrugadas
lordadas
do luar...
No lamento do vento,
no perfume das flores,
nos sorrisos, nas dores...
Na alegria dos lares,
na branca e secular
piedade dos altares...
No riso da criança
na humildade
e bondade
dos olhos que mendigam o pão...
nos que eram cheios de confiança...
na infalível e Divina Proteção.
Eu, procuro em tudo que vive
e vejeta
no Universo,
e na emotividade sublime da canção.
É debalde!
É em vão...
Se na terra não tem,
nem existe no mar...
... Eu sei também!
Só no céu poderei encontrar
a caridade divina e abençoada,
da minha mãe...
da minha mão amada.

fernando.caldas@bol.com.br

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

COMANDANTE CALDAS

O estudante que morou e que ainda mora na Casa dos Estudantes de Natal, conhece muito bem a praça comandante Lins Caldas. que fica de frente para aquela Casa. O nome completo daquele policial, era Manoel Lins Caldas Sobrinho (tenente coronel). Comandou o Batalhão de Segurança de Natal. Manoel era irmão dos heróis da Guerra do Paraguai, Ulisses Olegário Lins Caldas e João Percerval Lins Caldas, mortos em combates nas tomadas de Curuzu e Estabelecimento, respectivamente. Manoel deu a sua colaboração literária em jornais do seu tempo, dirigiu quando já reformado, o jornal "A Opinião", de Natal. Era natural de Assu (RN), nascido no dia 27 de janeiro de 1854, e faleceu naquela capital no dia 27 de maio de 1921. Era seu pai Otávio Augusto Caldas de Amorim e sua mãe chamava-se Ernestina Caldas de Amorim. Comando a Polícia Militar durante vinte anos. É de autoria daquele ilustre assuense, as seguintes trovas:

I

O vento, como em gemidos,
Que só a dor sabe tê-los,
Gelado, como a saudade,
Vem me beijar os cabelos.

II

Aves, céus, flores e campos,
Tudo revela alegria!...
Tudo encanta, tudo folga,
Só eu sou triste, Maria!...

fernando.caldas@bol.com.br

Domingo, 5 de Julho de 2009

OU COM ELA OU COM COMIGO

Virgílio Caldas era negociante de carne no lugar então denominado Sacramento, atual município de Ipanguaçu (RN). Virgílio quando jovem farreava muito. Por sinal foi ele junto com meu avô Luizinho Caldas, irmão de Virgílio, quem botou o português Macedo, que era casado com dona Terezinha, mãe de Maria Auxiliadora, esposa de dr. Edgard Montenegro, para ir embora do Assu e nunca mais voltar. Virgílio e Luizinho eram primos irmãos de Terezinha. Por sinal, Macedo fugiu com a mulher do Juiz da cidade de Assu, salvo engano, na década de trinta. Pois bem, Virgílio teve uma relação amorosa com uma certa môça e não deu muita importância. O pai dela procurou o Majó Montenegro que em Ipanguaçu além de grande fazendeiro, era chefe político, o padre, o juiz de direito, o juiz de paz, afinal, era ouvido e procurado para resolver qualquer problema que por ventura existisse naquela localidade. O Majó (ele foi o primeiro prefeito de Santana do Matos (RN) e deputado provincial) mandou alguém chamar Virgílio até a sua casa para resolver o problema. De pronto, Virgílio atendeu o seu chamamento. Ao chegar, o Majó foi direto ao assunto: "Prepare-se para se casar! Ou com ela ou comigo!" Vírgílio Caldas calado estava, calado ficou. O Majó não gostando do seu silêncio, advirtiu-lhe novamente: "Como é rapaz, resolva logo! Ou você se casa com ela ou comigo!" "Majó, pra se casar com macho tem que pensar duas vezes!" - Respondeu Vírgílio Caldas que não tinha medo de nada.

fernando.caldas@bol.com.br

MAIS FOTOS DO SÃO JOÃO EM ASSU

Esquerda para direita: Dentista Osman Alves, acropecuaristas Edgarzinho Montenegro e seu pai Edgard Montengro, durante o tradicional Almoço de São João.
Direita para esquerda: Dr. Osman Alves, prefeito do Assu Ivan Júnior, empresário Júnior Gregório Júnior. Sentados (?) Sr. João de Lula e sua senhora (avós paterno do prefeito assuense).

Esquerda para direita: Empresário Helder Alves, dr. Osman Alves e o prefeito Ivan Júnior.


Da esquerda para direita: dr. Osman Alves, dr Edgard Montenegro e sua filha Dália, e Fernando Caldas (Fanfa) autor deste blog.

fernando.caldas@bol.com.br

Sábado, 4 de Julho de 2009

UM POUCO MAIS DE JOÃO CELSO NETO

A fotografia é antiga.
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João Celso (já comentei sobre ele aqui neste blog) é poeta potiguar do Assu da velha guarda. Mas ele tem somente 64 anos de idade. Nasceu em terras assuenses, morou em Natal, Recife, Rio de Janeiro, Fortalez e atualmente reside em Brasilia, capital federal, mas nunca esuqeceu a sua terra natal. Ele é um dos ultimos remanescente daquela geração de poetas que dignificam aquela terra assuense e engrandecem as letras norte-riograndenses. Ele começo a produzir poesias, ainda na sua adolescência. Em data de 6 de junho de 1963, numa feliz inspiração, escreveu o poema sem epígrafe, nunca antes publicado (que ele escondeu num baú inviolável, que eu fui buscar e transcrevo abaixo para o nosso deleite. Vamos conferir:
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"Um beijo teu apenas bastaria
para me fzer feliz,
a fúria de meu amor aplacaria,
acalmando também meu coração.
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Tudo me falta e nada te comove,
mesmo que vejas o sofrimento meu.
A solidão do mundo me acompanha
e tua alma não me dá carinho.
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Teus braços não me abraçam,
teus lábios não me beijam,
de ti só a distância eu recebo,
e nem isso eu desprezo.
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Meu penar, sem culpa alguma,
revolta a todos, exceto a ti,
que, soberana a oprimir,
espezinhas o meu amor."
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Pouco tempo depois, João Celso refez aqueles versos transformando em soneto (aproveitando a primeira estrofe do pema acima transcrito) que escreveu num caderninho que eu também fui buscar entre seus guardados, que diz assim:
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"Um beijo teu apenas bastaria
para me fazer feliz,
a fúria de meu amor aplacaria,
acalmando também meu coração.
.
Queres a distância, eu me afasto,
tudo me falta e nada te comoves
a solidão do mundo me acompanha,
e tua alma não me dá carinho.
.
Vivo sem tí, e te amando sempre,
vives sem mim, me espezenhando muito.
mais eu insisto: negociemos:
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Dá-me um abraço, toma este beijo,
e nestas trocas intermináveis
vivamos sempre enamordos.
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